psicologia clinica florianopolis

Texto: psicoterapia


escolha do processo terapeutico

As possibilidades de ajuda via internet.

É possível fazer terapia via internet? A resposta simples é: ainda não.
( A permissão do Conselho Federal de Psicologia é para algumas orientações online, em temas pontuais, que diferem da psicoterapia presencial.)

Algumas denominações estão sendo utilizadas na designação das terapias não-presenciais, como: terapia on-line, psyberterapia, psyberpsicoterapia, psyberatendimento, cyberterapia, cyberpsicoterapia, cyberatendimento, e-terapia, webpsicoterapia, webpsicanálise, etc. Independentemente das denominações ou variantes, há uma ampla discussão sobre a validade das terapias que utilizem qualquer tipo de meio de transmissão de dados mediando a relação entre o terapeuta e o paciente.
Para simplificar a compreensão deste tema, pode-se subdividi-lo em duas vertentes: a) presença e b) vínculo.
a) a importância da relação psicoterapêutica ser presencial, pois há uma variedade de elementos a serem avaliados, como: sentimentos, expressões, raivas, angústias, alegrias, etc., que são compartilhadas das mais diversas formas durante o encontro terapêutico e, portanto, a terapia deve ser presencial e
b) sendo o vínculo terapêutico um dos pontos fundamentais das psicoterapias, então esta poderia ocorrer de diversas formas e dentre elas as eletrônicas, sobretudo com um seleto grupo de pessoas que possuem facilidade na utilização de recursos tecnológicos e na expressão escrita. A expressão escrita possui inúmeras limitações, tanto na redação quanto na interpretação. E, os recursos das vídeo-conferências, propiciados pela 'banda larga', apresentam um bom potencial para as sessões 'on-line', devido a algumas semelhanças com as sessões presenciais.
O Conselho Federal de Psicologia - CFP, editou três resoluções a respeito deste tema a 03/2000, 12/2005 e a 11/2012 (que entrará em vigor em 2013), dentre outros os seguintes pontos podem ser evidenciados:
- a resolução 03/2000 foi revogada pela 12/2005 que foi revogada pela, atual, 11/2012;
- o trabalho do psicólogo deve ser conduzido por conhecimentos e técnicas fundamentados na ciência psicológica;
- o código de ética profissional ressalta a importância da confidencialidade nas relações profissionais;
- o atendimento psicoterapêutico (terapia) mediado via computador (e outros meios não-presenciais) não foram suficientemente estudados e estão restritos às pesquisas.

Na resolução 11/2012 o CFP permite que sejam realizadas uma quantidade pequena e limitada de sessões on-line sobre temas específicos, restritos a:
- orientações psicológicas restritas a 20 contatos/sessões.
- etapa preliminar de processos seletivos;
- aplicação de alguns testes já aprovados pelo CFP;
- eventual complementação de supervisões (orientação de um psicólogo a outro psicólogo) e
- atendimento eventual de um cliente de consultório, que esteja em trânsito.

Para tal o psicólogo deverá disponibilizar um 'site' específico para este fim, que esteja hospedado no Brasil e que alerte sobre as condições e/ou garantias do siligo.

A resolução 11/2012 não especifica o termo "orientações", portanto a compreensão fica atada as resoluções anteriores, que delimitam a este termo temas de cunho genérico como: afetivo-sexual, profissional, aprendizagem, empresariais, ergonômica etc. Bem como, o termo "Eventual" (grafado em maiúsculo na resolução) também ficou em aberto.

Quando comparada a resolução de 2005 a resolução de 2012 possui um 'tom' de abertura e alguns pequenos avanços, mas os atendimentos via meios eletrônicos continuam restritos e delimitados às pesquisas experimentais e sujeitos a prévia autorização do Comitê de Ética em Pesquisa.
As várias facetas que o sigilo adquire neste contexto, o torna um dos pontos fundamentais e para iniciar uma reflexão elencamos alguns tópicos:
a) todos os casos veiculados sobre 'hackers' deixam a impressão que qualquer garantia de sigilo na internet é temerária e após jul 2013 retifica-se para: todos os casos veiculados sobre a internet;
b) a referida resolução ao utilizar o termo anglo-saxão 'site' obscurece a compreensão se o domínio deve ser brasileiro ou se a hospedagem das páginas e arquivos do domínio devam estar em 'datacenters' localizados no território nacional, de qualquer forma é uma restrição obscura, pois mesmo que a hospedagem dos arquivos esteja no Brasil, o efetivo atendimento 'on-line' é comumente realizado em renomados serviços de 'chat'; 'bate-papos' e/ou 'e-mail', que, geralmente, estão hospedados fora do Brasil ou mantêm 'backup' fora do Brasil, o que torna mais complexa a questão do sigilo, ou seja, qualquer delimitação geográfica torna o assunto difícil, pois vai na contra-mão da própria idéia e dinâmica da internet;
c) um outro ponto contraditório se refere a obrigatoriedade dos provedores a entregarem à Justiça materiais sob investigação e o Código de Ética do Psicólogo determina que cabe ao profissional revelar somente o estritamente necessário para que a integridade do paciente seja preservada, conflito gerado por estas duas determinações deve ser melhor compreendido e
d) que está implicito na idéia de sigilo, mas por um outro ponto que não foi diretamente abordado pela nova resolução, é quanto a questão do ambiente que o usuário reserva para seu encontro terapêutico. Para ilustrar imaginemos a seguinte situação: um paciente 'em trânsito' em meio a uma 'crise' vai a uma 'lan-house' para uma consulta 'on-line' por um sistema de video-conferência em meio a todos os demais clientes do estabelecimento, ou então, caso o dono desta 'lan-house' observar as prescrições legais e mantiver registro e 'backup' de todo o material gerado por seus clientes. Como fica o sigilo? Nessa mesma linha de pensamento é oportuno observar que os hotéis que oferecem serviços de internet aos seus hóspedes também devem manter 'backup' de todos os dados. Destas situações se depreende que a questão do alerta sobre o sigilo deva envolver as condições mínimas do ambiente em que o usuário se encontra.

Embora alguns aspectos da vida adquiram um ar de "instantaneidade desmaterializada", a terapia continua real e presencial e o tempo terapêutico deve respeitar o processo de internalização do paciente. O espaço terapêutico, que se firmou no último século pela intimidade e confiança terapeuta-paciente, continua diferenciado. E, resiste a tendência de "virtualização" das relações e das "prontas respostas" desse nosso pós-moderno mundo.
Portanto, a psicoterapia via internet, até que se façam avanços teóricos necessários, é restrita às atividades de pesquisa e a internet mais um meio de comunicação como o telefone, fax, carta, etc.



psicologia psicologa e psicoterapia
Psicologia

título:
A Internet e a psicologia - o paciente e a terapia
autor:
url:
modif.:
19 January 2017
resumo:
Aspectos da psicologia no uso da internet para terapia, conforme as recomendações do conselho federal de psicologia para pacientes/sujeitos de pesquisa. termos tipicos: terapia on-line, psyberterapia, psyberpsicoterapia, psyberatendimento, cyberterapia, cyberpsicoterapia, cyberatendimento, e-terapia e webpsicoterapia"
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