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Texto: psicoterapia


escolha do processo terapeutico

Resposta ao questionário, de uma estudante de jornalismo, sobre pessoas que economizam demais.


1. O que diferencia uma pessoa econômica de uma pessoa pão-dura demais, econômica ao extremo?

A diferenciação é realizada pelas pessoas do entorno que ao falarem sobre alguém modelam um padrão irrefletido de normalidade. Desta forma no "falar sobre"as pessoas reproduzem conceitos arraigados sejam eles histórico-culturais - de difícil percepção pois fazemos parte da cultura - ou os veiculados pelos meios de comunicação de massa - de mais fácil percepção, como: carro novo, roupa nova, eletrodomésticos novos, vida nova, ano novo, tudo novo, viva viva, alegria ...

Categorizar era para os gregos uma forma de acusação pública:

Greek kategoria, accusation, charge, from kategorein, to accuse, predicate : kata-, down, against; see CATA- + agoreuein, egor-, to speak in public (from agora, marketplace, assembly ...)

Ao falarmos "pão duro" criamos uma categoria. E, agora me responda: consideras que o significado atual de "categorizar" mudou?

Acha que desviei de tua questão? Espero que não! Abaixo eu complemento no sentido do sofrimento percebido pela pessoa, seja ele motivado pelo entorno ou seja ele já introjetado pelo sujeito.

2. A dificuldade em gastar dinheiro é uma doença?

Não! Ser generoso ao extremo é doença ou é para a sociedade atual mais aceitável? Por outro lado: sim, certamente, há pessoas que têm dificuldade de gastar dinheiro, creio que seria mais apropriado dizer: tem dificuldades para despender energia com um determinado tema e em outras áreas podem se mostrar totalmente inadequados.

3. O que é mais comum, pessoas que gastam demais, compradoras compulsivas ou as pães-duras?

Não tenho dados. 

Pelos noticiários que veiculam uma grande quantidade de devedores na praça e de cheques sem fundo, posso inferir que sejam as que gastam demais, o que não quer dizer que sejam compulsivas. Note que o típico dos noticiários veicular notícias de quanto a mais o comercio pretende faturar e/ou de quanto o comércio deixou de faturar pelos inadimplentes. Muito pouco é veiculado quanto a hábitos saudáveis de gasto, reais necessidades de consumo, da possibilidade de vivermos sem tantos commodities etc.

Há aqueles que procuram ajuda pelo sofrimento de terem ou não um objeto de desejo e não propriamente por gastar ou não dinheiro; alguns subtraem (cleptomania) e outros desejam e modelam suas vidas em torno de um bem imaginário inalcançável, etc.

4. Essas pessoas que tem horror a gastos procuram ajuda ou não conseguem nem gastar dinheiro com ajuda?

Boa questão! Quem tem horror? As pessoas que tem dificuldade para gastar conforme os moldes consumistas vigentes ou as pessoas do entorno? Se a pessoa não gasta e está bem com isso, logo ela não vai buscar auxílio e as que estão sofrendo buscam ajuda independentemente do valor que irão despender.

5. Quais os sintomas demonstram que uma pessoa tem problemas com a maneira como lida com dinheiro?

Sintomas psicológicos ou sócio-econômicos? Vou tentar responder:

Psicológicos > sofrimento, a pessoa se dá conta que algo está errado e sofre, seja por percepção própria ou pela "acusação" das pessoas do entorno que a transformam em alvo de chacotas e gracejos. A pessoa que não usufrui de suas conquistas apresenta outros sintomas e chega ao consultório por outras demandas, ou seja, lidar com dinheiro é só uma faceta socialmente aparente de outros comportamentos que causam sofrimento.

Sócio-econômico > Os sintomas sócio-econômicos privados e públicos têm muitas semelhanças, ao falar de um decalcamos o outro, seja ampliando ou reduzindo o foco! 

Privado > Endividamento; falta de perspectiva e projetos; problemas cíclicos; momentos de euforia; crise de confiança; acreditar que amanhã será melhor e que somente um deus todo poderoso poderá melhorar o futuro em detrimento a consecução de  um projeto de vida (compreenda este "deus" como ganhar na loteria; um dia as coisas vão ser melhores; o padrinho que conhece um vereador ficou de arrumar uma "boquinha"; etc.).
Público > Pobreza da população; malha viária ineficiente; hospitais com falta de remédios; ilhas de riqueza e pobreza; oscilações econômicas; esperança que um grande projeto seja aprovado; excessiva dependência de investimentos externos; dependência tecnológica; depreciar os recursos existentes ...

Fiquei curioso, por que só aventas sobre os mesquinhos e/ou gastadores? Lidar com dinheiro abrange uma ampla gama de comportamentos. Já pensaste sobre: 

Pessoas que gastam o dinheiro dos outros e não o próprio;
os crimes de colarinho branco com um amplo e inadequado uso do erário;
pessoas que se prevalecem sistematicamente de bens de terceiros, utilizando das prerrogativas familiares ou das "brechas" judiciais e a tradição de fazer obras "faraônicas" realizadas com recursos públicos em detrimento de obras de difícil visualização que são deixadas em segundo plano.
semelhante ao item anterior no âmbito privado seria, comprar um carrão em detrimento de uma melhor educação, alimentação, qualidade de vida ...

Espero que tenha respondido a contento e atingindo a tua expectativa.

Saudações

Arthur

Referências bibliográficas

SEN, Amartya.  Sobre ética e economia. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
AMERICAN Heritage Dictionary.  v. 3.5, California: Softkey, 1994. (CD-ROM)



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Terapia de Casal - Psicologia

título:
Habitos das pessoas que gastam demais e de menos - uso do dinheiro e o sofrimento.
autor:
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modif.:
13 January 2017
resumo:
Neste questionário há algumas considerações sobre o sofrimento e a acusação pública realizada contra pessoas que gastam pouco dinheiro - os mesquinhos - e um contraponto ao consumismo.
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