Sobre a polarização social
Escrito por: Arthur Müller -
No capítulo 6 da "Biografia do abismo", os autores questionan se "tem saida?" e tecem algumas interessantes considerações, resumidamente:
- entender que a inércia e a tolerância infinita aos atos é o fim da tolerância, é o fim de qualquer possibilidade de convivência social (barbarie).
- entender que, dentro de limites, as diferentes torcidas são parte de um bom jogo (a saúde social reside na pluralidade).
- entender que os extremos devem fixar os limites que não podem ser cruzados (tratados de: genebra, nato, haia, viena, san jose etc.).
- entender que os extremos devem retroagir juntos.
E no capítulo 7 "conclusões" eles finalizam rememorando uma peça de Sartre:
"... Em maio de 1944, às vésperas do fim da Segunda Guerra Mundial, o escritor francês Jean-Paul Sartre estreou a peça Entre quatro paredes. Num quarto sem janelas nem portas, mas com um espelho, quatro personagens estão condenados a ficar juntos após sua morte, em uma representação do inferno. O quarto fechado representa a falta de saída para os personagens, enquanto o espelho é o símbolo da ilusão do que cada um acha que é. É um inferno sem diabos nem tridentes, no qual o sofrimento é infligido pela incapacidade que cada um tem de fugir ao olhar e ao julgamento dos outros. A peça é uma alegoria da vida em sociedade e da incapacidade que todos temos de fazer concessões ao outro, mesmo quando precisamos de ajuda. O nosso inferno é compreender o outro."
Referências bibliográficas
NUNES, F. e TRAUMANN, T. Biografia do abismo. Rio de Janeiro:Harper Collins, 2023
leia mais:
JONAS. H. Princípio responsabilidade. São Paulo:Contraponto, 2007
SARTRE, J.P. War diaries: notebooks from a phoney war. London:Verso, 1983