Terapia Casal
por Arthur Müller em 2005 ― atual. mai.2026

por companhia, nestes momentos
passamos a afastar os corações
mais próximos de nós."
Muitas das terapias de casal são iniciadas com queixas pontuais como problemas de compreensão, agressão, distanciamento afetivo e/ou sexual. Iniciar uma terapia não é fácil, pois geralmente a vontade é de largar tudo e recomeçar do zero. Entretanto, tal medida não deveria ser a primeira opção, muito pelo contrário a separação (que por vezes é o primeiro pensamento e a primeira fala contundente numa briga) deve ser a última opção, no mímino para que a desistência não se torne um hábito!
Após algumas sessões, normalmente, o casal se permite a trabalhar temas mais amplos como: desejos suprimidos, significados do casamento, a compartilharem as mágoas de algumas pequenas situações e, até, pedirem perdão por algumas situações não tão pequenas... após estarem em paz podem decidir em continuarem juntos ou se separarem ...
Proporcionar um ambiente para que a decisão seja tomada de forma serena, é o principal trabalho do terapeuta numa terapia de casal.

Por que o casal discute as mesmas coisas, sempre?!
Os acontecimentos da infância não são apenas memórias — são padrões relacionais transmitidos entre gerações. As histórias de vida do casal, a partir das primeiras triangulações na família nuclear e extensa, se transmitem entre gerações, moldando silenciosamente a forma como cada um ama, cobra e recua. A maturidade, nesse sentido, não é apagar esse legado — é diferenciar-se do que foi herdado, reconhecendo o que é seu e o que você apenas carrega.
Nas relações, questões estruturais se misturam com questões relacionais atuais. Definir essa fronteira pode ser doloroso, mas é essencial. Casais com fronteiras pouco definidas, podem gerar um ambiente menos favorável ao desenvolvimento saudável de cada indivíduo.
Os casais se ajudam — e devem se ajudar. Mas há uma diferença entre solidariedade e fusão. Um café quentinho num dia difícil, um gesto pequeno, um mimo — isso é presença. Reformar o alicerce do outro já é invasão de fronteira e se expressa pelo conflito conjugal ou pela disfunção de um dos cônjuges, que cede ao outro tornando-se dependente — o oposto da intimidade saudável.
A ideia do casal perfeito é uma armadilha. Mais produtivo é conhecer os limites do outro — quais podem ser negociados, quais têm tratamento e quais limites simplesmente existem. É justamente essa capacidade de discernir os temas individuais dos temas do casal que orienta o processo terapêutico: se um membro do casal mudar seu modo de se relacionar com o outro, o casal muda! A terapia de casal foca nos padrões interacionais, as rachaduras no alicerce individual são sinalizadas — e encaminhadas para a terapia individual de cada um.

chega o tempo quando não
conseguimos tirá-las sem
remover nossa pele junto.
Andre Berthiaume
Sobre o início da tereapia de casal: quando um quer e o outro não?
Dificilmente os dois comparecem com a mesma vontade, contudo (mesmo com a relação estremecida) é mais proveitoso quando o casal consegue chegar num acordo para comparecerem juntos à sessão. O interessante é que durante o processo terapêutico inversões acontecem e quem a princípio solicitou e até "forçou" o outro a ir à terapia, reluta em comparecer em alguma das sessões. Como, geralmente, são as mulheres que mais solicitam o início da psicoterapia é comum ouvir: "Hoje foi ela que não queria vir, mas veio!" Tais diferenças nas motivações são comuns e consite num dos elementos para a condução da sessão.
O amor, o medo...
por vezes amar é um nó
que se pensa laço
um jogo silencioso
esconde o medo de revelar-se
o olhar vira
reflexo do outro e
o próprio abismo
o nó oscila
o laço respira
o amor pulsa
eu também tenho medo
não do amor ou de amar
tenho medo de transformar
o laço em nó
a.m. fev2026