Visão de mundo
por Arthur Müller em 2022 ― atual. jun2026

É numa imagem como essa que eu me flagro quão congelada está a minha visão de mundo...
Valéry escreveu em 1928 que as obras de arte adquiririam uma espécie de ubiquidade (capacidade de estar presente em todos os lugares ao mesmo tempo ) — bastaria invocá-las e lá estariam, como água ou eletricidade entregues em casa por simples movimento da mão. Benjamin retomou essa idéia em 1936, pensando o que se perde quando a obra se multiplica: a aura e o irrepetível "aqui e agora".
Em maio de 2019, essa foto do Everest me chegou assim — ubíqua, instantânea, sem aura. Uma fila de pessoas esperando para pisar no teto do mundo! Me recordei que eu torcia para o meu pai me contar sobre os alpinistas que subiram pela primeira vez o Everest, eles fizeram o impossível eram os meus heróis e eu sonhava com esses feitos.
Refletindo sobre a minha infância, nos relatos dos feitos notáveis, na torcida pelos heróis, tantas coisas misteriosas que ganhavam uma autojustificativa — valiam o risco! E agora — agora não sei o que vale!
Talvez seja isso a velhice: não a falência do corpo, mas a falência da capacidade de encontrar sentido (aura) nas coisas massificadas. O mundo atual oferece tudo de tudo, em tempo real. E eu, impassivo, não sei mais por quem torcer?!
História do nome Everest
A história do nome do Monte Everest guarda um toque de sobriedade, pois o homem homenageado não queria que a montanha tivesse o seu nome. O nome tibetano é "Chomolungma" – Mãe Deusa do Mundo, e em nepalês é "Sagarmatha" – Deusa do Céu. Em meados do século XIX, os geógrafos ingleses a denominavam de "Pico XV", pois o Nepal e o Tibete estavam fechados para estrangeiros por questões políticas.
Os geógrafos britânicos eram comandados por Sir George Everest, que se aposentou anos antes de o Pico XV ser oficialmente declarado o mais alto do mundo. Em 1856 Andrew Waugh, sucessor de Sir Everest, calculou os dados e confirmou que o Pico XV era a maior montanha do planeta, e propôs a homenagem a seu antigo chefe. George Everest foi contra, pois o nome não podia ser escrito em hindi ou pronunciado facilmente pelos nativos da Índia. Apesar dos protestos de Sir Everest, a Royal Geographical Society oficializou Everest em 1865. George Everest faleceu no ano seguinte.