A rouxinol e a rosa
Escrito por: Oscar Wilde
The Nightingale and the Rose, 1888
De um carvalho a rouxinol o escutava espantado através das folhas.
Não há rosa vermelha em todo o meu jardim ele exclamava e seus olhos se enchiam de lágrimas.
Ah!- como a felicidade depende de pequenas coisas! Eu li tudo o que os homens deixaram e todos os segredos da filosofia são meus e no entanto, por querer uma rosa vermelha minha vida está destruída.
Eis aqui um verdadeiro amor - disse a rouxinol.
Noite após noite eu canto por ele, mas eu não o conheço, eu tenho contado sua história para as estrelas e agora eu o vejo.
Seu cabelo é escuro como o jacinto florido e seus lábios são vermelhos como a rosa do seu desejo mas a paixão tornou sua face pálida como o mármore.
O Príncipe vai dar um baile amanhã a noite murmurou o jovem estudante - e meu amor será a companhia. Se eu levar uma rosa vermelha ela dançará comigo até o amanhecer e ela repousará sua cabeça sobre o meu ombro e ficaremos de mãos dadas. Mas não há rosa vermelha no meu jardim, então eu sentarei solitário e ela passará por mim sem me dar atenção e meu coração ficará partido.
Aqui sem dúvida está o amor verdadeiro disse a rouxinol. Do que eu canto ele sofre- o que é alegria para mim, é dor para ele - Certamente o amor é maravilhoso. É mais precioso do que esmeraldas e mais desejável do que as finas opalas, pérolas e romãs não o podem comprar e nenhum pode ser pesado na balança e comprado por ouro.
Os músicos sentarão em seus lugares disse o jovem estudante e tocarão seus instrumentos e meu amor dançará ao som da harpa e do violino. Ela dançará tão levemente que não sentirá tocar o chão e no seu alegre vestido que girará em volta dela. Mas comigo ela não dançará, pois eu não tenho uma rosa vermelha para dar a ela e caiu sobre a grama e escondeu sua face em suas mãos e chorou.
- Por que ele está chorando? perguntou um lagartinho verde enquanto passava por ele com sua cauda no ar.
- Por que chora ? disse a borboleta que estava voejando sobre um raio de sol
- Por que chora ? disse a margarida para sua companheira, numa voz leve e baixa.
Ele está chorando por uma rosa vermelha disse a rouxinol.
Por uma rosa vermelha? eles exclamaram Como isso é ridículo! e o pequeno lagarto que tinha algo de cínico, sorria sem reserva.
Mas a rouxinol entendia o segredo da mágoa do estudante e sentou silencioso no carvalho e pensou sobre o mistério do amor.
De repente abriu suas asas marrons e elevou-se no ar. Passou através do prado como uma sombra e como uma sombra ela navegou sobre o jardim.
No centro do gramado havia uma bela roseira e quando viu tantas rosas sobre ela disse:
Dê-me uma rosa vermelha e cantarei para você minha mais doce canção.
A roseira balanço a cabeça - Minhas rosas são brancas ela respondeu tão brancas como as espumas do mar e mais branca do que a neve sobre a montanha. Mas a minha irmã que cresce em volta do velho relógio de sol, talvez lhe dê o que você deseja.
Então, a rouxinol voou para a roseira que crescia em volta do velho relógio do sol.
Dê-me uma rosa vermelha!- ela exclamou eu lhe cantarei a minha mais doce canção.
Mas a roseira balançou a cabeça.
Minhas rosas são amarelas, ela respondeu. São amarelas como os cabelos da sereia que senta sobre o seu trono de âmbar e mais amarelo do que os narcisos que florescem no campo. Mas, vá até a minha irmã que cresce debaixo da janela do estudante e talvez ela lhe dè o que você quer.
Então a rouxinol voou sobre a roseira que crescia embaixo da janela do estudante.
Dê-me uma rosa vermelha ela exclamou.
Cantarei para você a minha mais doce canção.
Mas a rosa balançou a cabeça.
Minhas rosas são vermelhas ela respondeu, tão vermelhas como os pés da pomba e mais vermelhos do que os abanos de coral que ondeiam e ondeiam na caverna - oceano mas os invernos têm gelado minhas veias e gelo congelado minhas papilas e a tempestade tem partido os meus ramos e eu não terei rosas por todo este ano .
uma rosa vermelha é tudo o que eu quero exclamou a rouxinol. Somente uma rosa vermelha- não há um jeito para eu consegui-la?
Há um jeito respondeu a roseira. mas é tão terrível que eu não ouso falar para você
Conte-me disse a rouxinol Eu não tenho medo.
Se você quer uma rosa vermelha disse a roseira você deve construí-la com música ao luar e colori-la com o próprio sangue do seu coração Você deve cantar para mim com seu peito contra o espinho. A noite toda você deverá cantar para mim e o espinho perfurará profundo o seu peito e o sangue do seu coração deverá fluir para as minhas veias e vir para mim.
A morte é um preço muito alto para pagar por uma rosa vermelha exclamou a rouxinol.
E a vida é muito preciosa para isto. É agradável na verde madeira e assistir o sol em sua carruagem de ouro puro e a lua em sua carruagem de pérola. Doce é o perfume do espinheiro alvar e doces são os sininhos que se espalham pelo vale e a brisa que sopra na montanha. Mas, se o amor é maior que a vida, o que é coração de um pássaro comparado ao coração de um homem?
Ela então alçou suas asas marrons e voou. Ela passou pelo jardim como uma sombra e como uma sombra ela viajou através do campo.
o Jovem estudante estava ainda deitado na grama onde a rouxinol o tinha deixado e ainda havia lágrimas em seus lindos olhos.
Seja feliz - exclamou a rouxinol Seja Feliz - Você terá sua rosa vermelha. Eu a farei ao som da música ao luar e a vivificarei com o sangue do meu coração. Tudo que eu lhe peço em troca é que você seja um verdadeiro amante, pois o amor é mais sábio que a Filosofia e embora ela seja mais sábia que o Poder, embora ele seja mais poderoso, coloridas como chamas são suas asas e coloridas como chamas em seu corpo. Seus lábios são doces como o mel e seu hálito como incenso.
O estudante olhou de onde estava e escutou, mas não pode entender o que a rouxinol estava dizendo pois ele somente sabia de coisas escritas em livros.
Mas o carvalho entendeu e sentiu pena, pois ele era muito apegado a rouxinol que tinha construído o seu ninho em seus galhos.
Cante- me uma última canção ele murmurou, eu me sentirei muito solitário quando você se for.
Então a rouxinol cantou para o carvalho e sua voz era como água jorrando de uma jarra de prata.
Quando ela terminou a canção o estudante levantou e apanhou um livro de notas e um lápis de seu bolso.
Ela tem seu jeito de ser ele disse para si mesmo enquanto caminhava através da alameda. Isto não é danoso, mas ela tem algum sentimento? Ela é como a maioria dos artistas, tem todo o estilo, sem nenhuma sinceridade. Ela não se sacrificaria pelos outros. Ela vive meramente de sua música, e todos sabem que artistas são egoístas. Ainda, que se admita que ele canta bem. Que pena que eles não entendam nada e não tenham utilidade.
E ele se foi para o seu quarto, deitou-se em sua cama dura e começou a pensar em seu amor e depois de um tempo adormeceu.
E quando a lua brilhou nos céus, a rouxinol voou para a roseira e apertou o seu peito de encontro ao espinho. Por toda longa noite ela cantou com seu peito apertado pelo espinho e a fria lua de cristal inclinou-
se e ouviu. Por toda noite ela cantou e o espinho foi penetrando fundo e mais fundo no seu peito e seu sangue fluiu para ele.
Ele cantou sobre o nascimento do amor entre um rapaz e uma moça. E no topo da roseira floresceu uma maravilhosa rosa, pétala por pétala como uma canção seguida por canção. Primeiramente, era pálida, como as neblinas sobre o rio, pálida como os pés da manhã e prateadas como as asa do amanhecer. Como a sombra de uma rosa num espelho de prata, como a sombra de uma rosa em uma poça de água.
Assim era a rosa que nascia no alto da roseira.
mas a roseira gritou para a rouxinol apertar-se mais contra o espinho Mais apertado pequena rouxinol
gritou a roseira ou o dia virá antes da rosa estiver acabada
Então, a rouxinol apertou-se mais contra o espinho e mais alto e mais alto ela cantou para o nascimento da paixão entre um um homem e uma mulher.
E delicado fluxo vermelho foram para as folhas da rosa como o corado da face do noivo quando ele beija os lábios da noiva. Mas o espinho ainda não tinha alcançado o seu coração, então a rosa permanecia branca pois, somente o sangue do coração de um rouxinol pode avermelhar o coração de uma rosa.
Então, a roseira gritou para a rouxinol mais apertado pequena rouxinol gritou a roseira ou o dia virá sem a rosa estar terminada.
Então, a rouxinol apertou mais fundo o seu peito contra o espinho e o espinho alcançou o seu coração e uma forte e aguda dor atingiu-o. Amarga e amarga era a sua dor e selvagem e selvagem cresceu sua canção, pois ela cantava a canção do amor que era aperfeiçoado pela morte, do amor que não morre na tumba.
e a maravilhosa rosa tornou-se carmesim como uma rosa do céu do leste. Vermelho.
era o círculo de pétalas e vermelha como era o coração.
A voz da rouxinol enfraqueceu e suas asa começaram a debater e um véu passou por seus olhos.
Mais fraca e mais fraca era sua voz e ela sentiu alguma coisa travar a sua garganta.
Então, ela deu um último trinado.
A lua branca escutou e esqueceu do amanhecer e prolongou-se no céu. A rosa vermelha escutou e tremulou em êxtase e abriu suas pétalas para o ar frio da manhã.
Um eco produziu para suas cavernas púrpuras nas montanhas e acordou os pastores de ovelhas de seus sonhos. E flutuou através dos juncos das margens do rio e conduziu sua mensagem para o mar.
Veja, veja! gritou a roseira - a rosa está terminada . Mas a rouxinol não respondeu pois estava caído morto sobre a grama com o espinho no coração.
Mais tarde, o estudante abriu a janela e olhou para fora.
Oh! que sorte maravilhosa! ele exclamou - aqui está uma rosa vermelha. Eu nunca vi uma rosa como esta em toda minha vida. É tão bela que eu tenho certeza que ela tem um longo nome em latim.
E ele inclinou-se e a colheu.
Então, ele pôs o chapéu e correu para a casa do professor com a rosa em sua mão.
A filha do professor estava sentada na soleira da porta enrolando linha de seda azul em um carretel e seu cachorrinho estava deitado aos seus pés.
Você disse que dançaria comigo se eu trouxesse para você uma rosa vermelha exclamou o estudante.
Aqui está a rosa mais vermelha do mundo. Você usará a noite junto do seu coração e nós dançaremos juntos e eu direi a você como a amo.
Mas a menina olhou com desdém.
Temo que não combine com o meu vestido ela respondeu e além disso, o sobrinho de Chamberlain enviou-me uma jóia verdadeira e todos sabem que jóias custam mais que flores.
Bem, palavra de honra que você é uma grande ingrata disse o estudante furioso e atirou na rua a rosa que caiu na sarjeta e uma roda de carro passou sobre ela.
Ingrata! disse a moça Eu lhe digo que você é muito rude; e depois de tudo, quem é você? Somente um estudante. Ora, eu acredito que você nem tenha fivelas de prata para os seus sapatos como o sobrinho de Chamberlain possui .
E ela levantou-se da cadeira e entrou para dentro da casa.
Que coisa tola é o amor disse o estudante enquanto ia embora. não é um meio tão útil quanto a lógica, pois não prova nada, e está sempre contando a alguém coisas que não acontecem e fazendo alguém acreditar em coisas que não são verdadeiras. De fato, é pouco útil e, como nesta época ser prático é tudo, eu voltarei para a Filosofia e o estudo da Metafísica.
Então ele retornou para o seu quarto e apanhou um grande e poeirento livro e começou a ler.